{"id":44171,"date":"2023-11-08T16:03:43","date_gmt":"2023-11-08T19:03:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sindenfermeiro.com.br\/?p=44171"},"modified":"2026-04-29T12:01:06","modified_gmt":"2026-04-29T15:01:06","slug":"mitos-e-verdades-sobre-a-insercao-do-diu-por-enfermeiros-no-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindenfermeiro.com.br\/index.php\/2023\/11\/08\/mitos-e-verdades-sobre-a-insercao-do-diu-por-enfermeiros-no-sus\/","title":{"rendered":"Mitos e verdades sobre a inser\u00e7\u00e3o do DIU por Enfermeiros no SUS"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-44172\" src=\"https:\/\/sindenfermeiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/GettyImages-1407068762-1-1024x683-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"497\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/sindenfermeiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/GettyImages-1407068762-1-1024x683-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/sindenfermeiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/GettyImages-1407068762-1-1024x683-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/sindenfermeiro.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/GettyImages-1407068762-1-1024x683-1.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 497px) 100vw, 497px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por Jorge Henrique, presidente do SindEnfermeiro-DF<\/em><\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de inser\u00e7\u00e3o do Dispositivo Intrauterino (DIU) por Enfermeiros e Enfermeiras \u00e9 um assunto que, h\u00e1 anos, levanta debates acalorados no \u00e2mbito da assist\u00eancia em sa\u00fade. Quest\u00f5es como regulamenta\u00e7\u00e3o, compet\u00eancia e capacidade t\u00e9cnica, assim como acesso e desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade s\u00e3o suscitadas por aqueles que concordam ou discordam desta pr\u00e1tica realizada no \u00e2mbito da Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria em Sa\u00fade (APS).<\/p>\n<p>Existe um mantra entre profissionais de Enfermagem, o qual afirma que a pr\u00e1tica de inser\u00e7\u00e3o de DIU aumenta o rol de procedimentos a serem realizados por Enfermeiros, sobrecarregando ainda mais o profissional que atua nas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade. \u00c9 importante, mediante a reprodu\u00e7\u00e3o deste senso comum, desfazer esse mito, pois n\u00e3o existe evid\u00eancia cient\u00edfica e atrapalha o entendimento de acad\u00eamicos e de profissionais sobre o processo de valoriza\u00e7\u00e3o e reconhecimento social da Enfermagem atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que as profiss\u00f5es constituem um sistema independente de pr\u00e1ticas e conhecimentos entre elas, em que cada uma constr\u00f3i sua atividade sobre um tipo de jurisdi\u00e7\u00e3o.\u00a0 Os limites jurisdicionais est\u00e3o em permanentemente rearranjo e s\u00e3o influenciados sobremaneira pelo entrela\u00e7amento de elementos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais, respons\u00e1veis pelo ordenamento estrutural dos sistemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em tese, s\u00e3o os modelos t\u00e9cnico-assistenciais de sa\u00fade que possibilitam a cria\u00e7\u00e3o de um campo din\u00e2mico de t\u00e9cnicas assistenciais, jur\u00eddicas e administrativas. Portanto, n\u00e3o existe um c\u00f3digo fixo e imut\u00e1vel de normas, pr\u00e1ticas e conhecimento de uma determinada profiss\u00e3o sobre a realidade. Esta estrutura depende da rela\u00e7\u00e3o trabalho-sa\u00fade e de como uma categoria reivindica \u00e0 sociedade o reconhecimento de sua estrutura cognitiva e de direitos sobre um determinado campo de atua\u00e7\u00e3o. Com efeito, a jurisdi\u00e7\u00e3o de uma profiss\u00e3o se materializa com a condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel de sua pr\u00e1tica para o sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>No caso da Enfermagem, h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas o Sistema \u00danico de Sa\u00fade vem proporcionando o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es pautadas na colabora\u00e7\u00e3o multi e transdisciplinar, que permite a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para atender as reais necessidades da popula\u00e7\u00e3o, assim como novos processos agenciadores, novas rela\u00e7\u00f5es, novas alian\u00e7as e experi\u00eancias que impactam as pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Da mesma forma, os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, as mudan\u00e7as no perfil epidemiol\u00f3gico, os novos determinantes do processo sa\u00fade-doen\u00e7a, o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e as doen\u00e7as emergentes possibilitam que as pr\u00e1ticas avan\u00e7adas da Enfermagem democratizem o acesso da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 assist\u00eancia em sa\u00fade e tornem os servi\u00e7os mais resolutivos. Portanto, s\u00e3o estas novas intera\u00e7\u00f5es e determina\u00e7\u00f5es da realidade que permitem o desenvolvimento de pr\u00e1ticas inovadoras.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o as pr\u00e1ticas avan\u00e7adas e muito menos as novas tecnologias que aumentam a sobrecarga de trabalho dos profissionais da Sa\u00fade. S\u00e3o as novas formas de gerenciamento do trabalho, caracterizadas pela austeridade fiscal, desinvestimento em pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade, terceiriza\u00e7\u00f5es, supress\u00e3o de direitos trabalhistas, uberiza\u00e7\u00e3o do trabalho que t\u00eam elevado o grau de adoecimento de profissionais da Enfermagem.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o do DIU por Enfermeiros e Enfermeiras, ao contr\u00e1rio do que muitos afirmam, promove mais benef\u00edcios para os processos de trabalho e para a organiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os da APS do que o aumento da sobrecarga de trabalho e adoecimento dos profissionais. Esta pr\u00e1tica reduz a press\u00e3o no sistema de sa\u00fade de demandas relacionadas \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o, permitindo que a organiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de sa\u00fade esteja orientada para o alcance de outros indicadores.<\/p>\n<p>Estudos apontam que a inser\u00e7\u00e3o do DIU por Enfermeiras no SUS Garante, em car\u00e1ter permanente, que um direito sexual e reprodutivo seja efetivado como pol\u00edtica p\u00fablica de sa\u00fade; amplia o acesso de mulheres vulner\u00e1veis a um m\u00e9todo contraceptivo de longa dura\u00e7\u00e3o; reduz as complica\u00e7\u00f5es no pr\u00e9-natal; reduz a\u00a0 mortalidade materna e infantil no perinatal; reduz o n\u00famero de gravidez indesej\u00e1veis; e reduz o n\u00famero de abortos e suas complica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por fim, faz-se necess\u00e1ria uma reflex\u00e3o, junto aos Enfermeiros e Enfermeiras, sobre o surgimento de novas tecnologias que, assim como a prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos, podem ser inseridas nos protocolos de atividades desenvolvidas por estes profissionais.\u00a0 S\u00e3o pr\u00e1ticas que servem para desencadear processos produtivos na sa\u00fade, seja no \u00e2mbito da assist\u00eancia, da vigil\u00e2ncia, da gest\u00e3o e das pol\u00edticas p\u00fablicas em sa\u00fade. A Enfermagem, pela importante localiza\u00e7\u00e3o no sistema de sa\u00fade, tem capacidade de construir ferramentas que podem democratizar o acesso da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Vasconcelos LCF. As rela\u00e7\u00f5es sa\u00fade, trabalho e direito e a justi\u00e7a injusta. In: Vasconcelos LCF, Oliveira MHB, organizadores. Sa\u00fade, trabalho e direito: uma trajet\u00f3ria cr\u00edtica e a cr\u00edtica de uma trajet\u00f3ria. Rio de Janeiro: EDUCAM; 2011. p. 33-84.<\/li>\n<li>Silva Junior, AG. Modelos tecnoassistenciais em sa\u00fade: o debate no campo da sa\u00fade coletiva. S\u00e3o Paulo: HUCITEC, 1997. 150p.<\/li>\n<li>Abbott, AD. The system of professions. Chicago: The University of Chicago Press, 1988. E-book (405.p). ISBN: 978-0-226-18966-6.<\/li>\n<li>Rodrigues, M. L. Sociologia das Profiss\u00f5es. Oeiras, Portugal: Celta. 2\u00aa ed. 2002. p.169<\/li>\n<li>Freitas GF de, Fugulin FMT, Fernandes M de FP. A regula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho e o gerenciamento de recursos humanos em enfermagem. Rev esc enferm USP [Internet]. 2006Sep;40(Rev. esc. enferm. USP, 2006 40(3)):434\u20138. Available from: https:\/\/doi.org\/10.1590\/S0080-62342006000300017<\/li>\n<li>Farias SNP, Souza NVDO, Andrade KBS, Varella TCML, Soares SSS, Carvalho EC. Brazilian labor reform and implications for nursing work: a case study. Rev Esc Enferm USP. 2021;55:e20210230. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/1980-220X-REEUSP-2021-0230\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/1980-220X-REEUSP-2021-0230<\/a><\/li>\n<li>Lacerda LD, Arma JC, Paes LG, Siqueira EF, Ferreira LB, Fetzner RR, et al. Inser\u00e7\u00e3o de dispositivo intrauterino por enfermeiros da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade. Enferm Foco. 2021;12(Supl.1):99-104.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Por Jorge Henrique, presidente do SindEnfermeiro-DF A pr\u00e1tica de inser\u00e7\u00e3o do Dispositivo Intrauterino (DIU) por Enfermeiros e Enfermeiras \u00e9 um assunto que, h\u00e1 anos, levanta debates acalorados no \u00e2mbito da assist\u00eancia em sa\u00fade. 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