Email sedfcontato@gmail.com
Telefone (61) 3273 0307

Enquanto enfermeiros lutam por isonomia salarial e um SUS forte, governo destina R$ 2 bi para banco privado

Publicada em 2 de abril de 2025

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) anunciou a abertura de uma investigação para apurar a compra de 49% das ações do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), um negócio avaliado em R$ 2 bilhões. A transação, que ainda aguarda aprovação do Banco Central, levanta questionamentos sobre sua real necessidade e impacto aos cofres públicos. O mais curioso é que o banco BTG Pactual ofereceu apenas R$ 1 para assumir o controle do Banco Master, desde que suas dívidas fossem cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Se uma grande instituição financeira avaliou o Master como praticamente inviável, por que um banco público desembolsaria um valor tão alto por apenas uma parte da empresa?

Enquanto o governo do DF destina bilhões para uma aquisição controversa, a saúde pública enfrenta problemas graves. A espera por leitos de UTI é interminável, hospitais apresentam rachaduras estruturais e faltam servidores em todas as unidades de saúde. O Sindicato dos Enfermeiros do DF denuncia que essa política prioriza interesses financeiros em detrimento do bem-estar da população e dos trabalhadores. A operação beneficia diretamente o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, que manteria o controle do banco e ainda poderia assumir a presidência do Conselho de Administração do BRB.

A movimentação financeira do BRB impacta diretamente os servidores públicos do DF, muitos dos quais recorrem ao banco para obter crédito consignado. Enquanto enfrentam perdas salariais e dificuldades financeiras devido à inflaçãos, os trabalhadores assistem perplexos a essa negociação bilionária que não traz benefícios para a população. Em vez de fortalecer o BRB como um banco de fomento para a economia local e de apoio aos servidores, o governo parece usá-lo como instrumento para um negócio pouco transparente.

Para se ter uma ideia do impacto desse montante, os R$ 2 bilhões poderiam ser usados para construir 11 hospitais, 125 UPAs ou 166 Unidades Básicas de Saúde. Atualmente, apenas 60% da população do DF conta com cobertura da Estratégia Saúde da Família, o que deixa milhares de pessoas sem acesso adequado à atenção básica. Para o SindEnfermeiro-DF esse valor também poderia ser destinado para garantir a isonomia salarial dos enfermeiros e convocar aprovados em concursos, melhorando diretamente a qualidade da assistência à saúde. O que a população precisa é de investimentos reais em serviços públicos, não de manobras financeiras que favorecem poucos em detrimento de muitos.