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Ato em homenagem às vítimas do coronavírus na Praça dos Três Poderes reúne parentes e amigos

Publicada em 22 de janeiro de 2021

No fim da tarde de ontem (21), dezenas de pessoas se reuniram na Praça dos Três Poderes, trazidas por um misto de sentimentos.

Foi um dia para homenagear familiares, amigos, vidas e histórias que o coronavírus levou. Um dia para abraçar a luta de muitas pessoas que ficaram, e agora tentam agora reconstruir as suas vidas. Em meio a isso, a revolta pela omissão e o negacionismo promovidos pelo Governo Federal que já custaram mais de 210 mil vidas.

O SindEnfermeiro-DF também participou do ato – representado pela presidente Dayse Amarílio, o secretário-geral Jorge Henrique, e os diretores Marcio da Mata e Adriano Limírio – para prestar sua homenagem aos mais de 500 profissionais de Enfermagem que ajudaram a salvar tantas vidas, mas perderam a batalha para o vírus no Distrito Federal e em todo o Brasil.

O ato foi organizado através das redes sociais por um grupo de pessoas que perderam parentes para o coronavírus. Foram estendidas faixas com o nome de cerca de 30 pessoas, e os presentes carregaram balões brancos – que foram lançados ao ar, e acenderam velas, vestidos em camisas pretas como sinal de luto.

“Dor e impunidade”

Para Dayse, o ato ganhou uma força maior por começar através de pessoas que tinham em comum a dor de perder familiares, amigos e conhecidos, mas que também foram movidos pelo sentimento de impunidade e revolta com a omissão do Estado.

“Esse ato tem uma importância muito grande, até por ter começado na dor de uma mulher que perdeu seu esposo, e decidiu juntar outras pessoas que enfrentam o mesmo sentimento. Nós estamos aqui amparando uns aos outros, mas também para lembrar que nenhuma dessas mortes pode ter sido em vão”.

Descaso com vírus é exclusividade do Brasil

Uma das organizadoras do evento, a enfermeira Cleo Manhas, que perdeu o marido para a Covid-19, ressaltou a omissão do Governo Federal em cuidar dos brasileiros. Para ela, faltou cuidado com a população, e não houve nenhuma preocupação em garantir com antecedência a vacina.

“Nós resolvemos vir aqui hoje para protestar contra este governo genocida. A pandemia é uma realidade mundial, mas o descaso com ela é uma realidade nossa. Muitas vidas poderiam ter sido poupadas se o governo tivesse tido o mínimo de preocupação, cuidando e protegendo a população. 200 mil pessoas já se foram por conta deste descaso.”, afirmou.

“Alguém precisa ser o responsável”

A professora, enfermeira e ex-candidata ao Palácio do Buriti, Fátima Sousa, também esteve presente no ato, e lembrou, entre outros pontos, que o descrédito do governo tem prejudicado inclusive o programa de vacinação do SUS, que já chegou a ser um dos mais eficientes do mundo. Para ela, o presidente precisa ser responsabilizado pelo caos durante a pandemia, com o apoio dos poderes Legislativo e Judiciário.

“Eu vim aqui hoje, como enfermeira e militante do SUS, dizer que meu país não precisava passar por isso. E os nossos poderes não podem normalizar esta barbárie. Num intervalo de 24 horas, nós estamos perdendo mais de duas mil pessoas. É preciso dar um basta nisso, e dizer que este governo tem que responder por todo o dano e abuso à saúde pública do país, mas principalmente pela vida de cada pessoa que não está mais aqui por conta da sua negligência”, pontuou.