No fim da tarde de ontem (21), dezenas de pessoas se reuniram na Praça dos Três Poderes, trazidas por um misto de sentimentos.
Foi um dia para homenagear familiares, amigos, vidas e histórias que o coronavírus levou. Um dia para abraçar a luta de muitas pessoas que ficaram, e agora tentam agora reconstruir as suas vidas. Em meio a isso, a revolta pela omissão e o negacionismo promovidos pelo Governo Federal que já custaram mais de 210 mil vidas.
O SindEnfermeiro-DF também participou do ato – representado pela presidente Dayse Amarílio, o secretário-geral Jorge Henrique, e os diretores Marcio da Mata e Adriano Limírio – para prestar sua homenagem aos mais de 500 profissionais de Enfermagem que ajudaram a salvar tantas vidas, mas perderam a batalha para o vírus no Distrito Federal e em todo o Brasil.
O ato foi organizado através das redes sociais por um grupo de pessoas que perderam parentes para o coronavírus. Foram estendidas faixas com o nome de cerca de 30 pessoas, e os presentes carregaram balões brancos – que foram lançados ao ar, e acenderam velas, vestidos em camisas pretas como sinal de luto.
“Dor e impunidade”
Para Dayse, o ato ganhou uma força maior por começar através de pessoas que tinham em comum a dor de perder familiares, amigos e conhecidos, mas que também foram movidos pelo sentimento de impunidade e revolta com a omissão do Estado.
“Esse ato tem uma importância muito grande, até por ter começado na dor de uma mulher que perdeu seu esposo, e decidiu juntar outras pessoas que enfrentam o mesmo sentimento. Nós estamos aqui amparando uns aos outros, mas também para lembrar que nenhuma dessas mortes pode ter sido em vão”.
Descaso com vírus é exclusividade do Brasil
Uma das organizadoras do evento, a enfermeira Cleo Manhas, que perdeu o marido para a Covid-19, ressaltou a omissão do Governo Federal em cuidar dos brasileiros. Para ela, faltou cuidado com a população, e não houve nenhuma preocupação em garantir com antecedência a vacina.
“Nós resolvemos vir aqui hoje para protestar contra este governo genocida. A pandemia é uma realidade mundial, mas o descaso com ela é uma realidade nossa. Muitas vidas poderiam ter sido poupadas se o governo tivesse tido o mínimo de preocupação, cuidando e protegendo a população. 200 mil pessoas já se foram por conta deste descaso.”, afirmou.
“Alguém precisa ser o responsável”
A professora, enfermeira e ex-candidata ao Palácio do Buriti, Fátima Sousa, também esteve presente no ato, e lembrou, entre outros pontos, que o descrédito do governo tem prejudicado inclusive o programa de vacinação do SUS, que já chegou a ser um dos mais eficientes do mundo. Para ela, o presidente precisa ser responsabilizado pelo caos durante a pandemia, com o apoio dos poderes Legislativo e Judiciário.
“Eu vim aqui hoje, como enfermeira e militante do SUS, dizer que meu país não precisava passar por isso. E os nossos poderes não podem normalizar esta barbárie. Num intervalo de 24 horas, nós estamos perdendo mais de duas mil pessoas. É preciso dar um basta nisso, e dizer que este governo tem que responder por todo o dano e abuso à saúde pública do país, mas principalmente pela vida de cada pessoa que não está mais aqui por conta da sua negligência”, pontuou.