Setorial de Mulheres do SindEnfermeiro-DF tem lançamento oficial com seminário “Enfermeiras pela Vida de Todas as Mulheres”, que debateu sobre violência contra as mulheres e contra a enfermagem
Por Lígia Maria
No último dia 26 de abril, o SindEnfermeiro DF recebeu o seminário “Enfermeiras pela vida de todas as mulheres: o papel da enfermagem no cuidado às mulheres em situação de violência”, que marca o lançamento do Setorial de Mulheres da entidade.
O debate envolveu desde aspectos conceituais acerca das questões de gênero, como os papeis sociais designados e a vulnerabilidade à violência deles decorrente, até a discussão sobre masculinidades e o papel dos homens no enfrentamento à violência contra as mulheres. A rede intersetorial de atenção às mulheres em situação de violência também foi abordada e o evento finalizou com a construção de duas propostas de fluxos de acolhimento e condutas em relação às enfermeiras vítimas de violência baseada em gênero no trabalho: uma para a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES DF) e outra para o próprio SindEnfermeiro.
A ideia da construção de fluxos parte da compreensão de que o papel das enfermeiras nos serviços especializados de atenção às pessoas em situação de violência é central, assim como em todos os dispositivos da Rede de Atenção às pessoas em situação de Violência (RAV) da SES DF; contudo, quando são as profissionais as vítimas de violência baseada em gênero em seus locais de trabalho, o cuidado ofertado não se aproxima nem minimamente daquele que as enfermeiras prestam no cotidiano.
Nos últimos anos, com ênfase no período inaugurado pela pandemia de COVID19, a violência contra as mulheres – em suas diversas tipologias – tem recrudescido vertiginosamente, assim como os episódios de violência contra a enfermagem nas unidades de saúde. Estes, por sua vez, são predominantes contra as profissionais do gênero feminino, compreendendo desde violências físicas até assédios morais, sexuais e até mesmo a violência sexual. Isto demonstra que a composição de gênero da Enfermagem, constituída em 84% por mulheres, ratifica que a vulnerabilidade das mulheres às violências é, também, a vulnerabilidade da enfermagem, o que exige a construção de ferramentas de enfrentamento com a mesma urgência.
A atuação política organizada das enfermeiras sindicalizadas e das diretoras do SindEnfermeiro DF, contudo, não começa agora. Desde 2018 o SindEnfermeiro DF vai às reivindicar os direitos e a integridade das mulheres e, portanto, da Enfermagem, no contexto da luta contra a Reforma da Previdência. Daí em diante, a cada Dia Internacional de Lutas das Mulheres, no dia 8 de março, as enfermeiras do Sindicato se reúnem e participam da marcha nacional. Em 2020, na marcha que antecedeu a declaração da pandemia de COVID19, a palavra de ordem “Enfermeiras pela vida de todas as mulheres” foi cunhada não só como aquela que leva esse agrupamento de mulheres às ruas, mas como um compromisso do SindEnfermeiro DF no acolhimento e na defesa das profissionais brasilienses.
Para Andressa Lorrana, enfermeira egressa da ESCS que retornou recentemente à Brasília, “o seminário demonstrou uma dinâmica horizontal e participativa no SindEnfermeiro, que com muita naturalidade não se furtou a debates complexos e fez questão de se concluir um evento tão importante com uma prática transformadora”. Participaram do evento profissionais, estudantes e residentes. Agora, o Setorial de Mulheres seguirá com atividades tanto para a apresentação da proposta de fluxo à SES DF quanto para a implantação do fluxo interno do SindEnfermeiro, a fim de que as denúncias de violência baseada em gênero nas unidades de saúde públicas e privadas sejam devidamente acolhidas e manejadas por toda a equipe do Sindicato.
Para participar do Setorial de Mulheres do SindEnfermeiro, basta ser profissional ou residente sindicalizada, ou estudante de qualquer instituição de ensino de Enfermagem do DF, e entrar em contato com o SindEnfermeiro.
**Lígia Maria é enfermeira (ESCS) da SES DF e do Ministério da Saúde, especialista em Direitos Humanos, Participação Social e Promoção da Saúde das Mulheres (Fiocruz Brasília); Mestre e doutoranda em Saúde Coletiva (UnB) e delegada sindical do SindEnfermeiro DF.