Email sedfcontato@gmail.com
Telefone (61) 3273 0307

SindEnfermeiro e Ação Conjunta contra a Covid-19 irão pedir na Justiça interdição da UPA de Samambaia

Publicada em 15 de maio de 2020

O Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnfermeiro-DF) e a Ação Conjunta contra a Covid-19 vão entrar com um pedindo para que o Ministério Público do DF (MPDFT) avalie a necessidade de interdição e desinfecção da Unidade de Pronto Atendimento de Samambaia. O pedido é uma das medidas tomadas pela Ação Conjunta, após a visita realizada nesta sexta-feira (15), na UPA. A intenção é garantir à população e aos funcionários uma maior segurança e evitar novas contaminações pelo novo coronavírus.

O secretário-geral do sindicato, Jorge Henrique esteve na unidade e constatou diversas irregularidades, entre elas a restrição à EPIs, 50 profissionais com Covid, unidade sem protocolo para admissão de pacientes com o vírus, e apenas uma enfermeira para coletar swab, fazer classificação e atender no covidario.

“Desde abril, temos recebido denúncias de profissionais que existe restrição de equipamento de proteção individual e no momento que chegamos na UPA, nos deparamos com uma situação ainda mais dramática. Mais de 50 funcionários já foram afastados por contaminação com Covid-19”, destacou Jorge Henrique.

Depois da visita, será produzido um relatório com toda a situação encontrada na Unidade de Pronto Atendimento e encaminhado para o Ministério Público. Além do SindEnfermeiro, a visita contou com a participação do COREN, OAB-DF, Conselho de Saúde de Brasília, Conselho de Saúde do DF e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, todos membros da Ação Conjunta Covid-19.

Demissões arbitrárias após denúncias

Durante o mês de abril, o sindicato recebeu denúncias de que profissionais foram desligados arbitrariamente após retratarem as péssimas condições de trabalho da UPA. Na ocasião, o SindEnfermeiro cobrou respostas sobre os desligamentos, chegando a reunir-se, no mesmo mês, com diretores do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IGESDF) para pedir uma solução ao problema das demissões.

Os profissionais denunciaram que os equipamentos de proteção individual (EPIs) não eram fornecidos em quantidade adequada para a equipe e que, no início da pandemia, a gerência da UPA não adotou os protocolos necessários para o atendimento a pacientes com suspeita de Covid-19. Além disso, com as demissões, a equipe de Enfermagem ficou desfalcada, fator que também compromete o atendimento e aumenta o risco de contaminação.

Durante a ação de fiscalização, o secretário-geral do sindicato, Jorge Henrique, e o diretor Adriano Limírio, se depararam com a unidade sem qualquer profissional responsável pela gerência, pois a gerente e o supervisor de enfermagem foram afastados recentemente. Os diretores também foram informados sobre o aumento do número de profissionais contaminados, que passou de 36, no último dia 14 de maio, para 50 profissionais.

A sala amarela, que tem nove leitos de observação, estava interditada, e os profissionais que realizam o transporte dos pacientes para outras unidades estão trabalhando sem os EPIs necessários. Além disso, uma mesma enfermeira fica responsável por acolher, classificar e prestar assistência em sala com 03 leitos destinada para pacientes com o coronavírus.

Lista de irregularidades encontradas na visita à UPA de Samambaia:

– Restrição à EPIs;
– 50 profissionais com Covid;
– Unidade sem protocolo para admissão de pacientes com Covid;
– Apenas uma enfermeira para coletar swab, fazer classificação e atender no covidario;
– Gerência assumiu no meio da pandemia;
– UPA atualmente sem gerência administrativa, pois quase todo o administrativo está contaminado;
– Supervisão de enfermagem afastada;
– UTI Vida desparamentada, utilizando apenas máscaras;
– Funcionários novos chegando sem treinamento.